
A história se passa em Londrina/PR, e durante a história houve uma busca constante em relatar lugares e folclores comuns ao londrinense; pois a protagonista, assim como nós, também vive submersa nesse universo próprio de culturas, pessoas e acontecimentos que compõem o cotidiano desta cidade cosmopolita que até no nome faz menção à uma pequena Londres.
Confira o Capítulo 1 do livro:
O centro de Londrina, assim como qualquer centro urbano de uma cidade grande, exala o cotidiano apressado, embalado pelos passos rápidos dos apressados que nada vêem e que são puro contraste com outros tipos de pessoas: aquelas que sentam aos bancos públicos seja para conversar com alguém, esperar outra pessoa, ver o movimento incessante de pernas e carros, ou pura e simplesmente descansar. E a hora do almoço, aquela uma ou quase duas horas de todos os dias onde as pessoas se desligam temporariamente de seus empregos, provavelmente seja o horário em que o calçadão esteja no auge da sua vitalidade, pois estes minutos são a salvação para os que aproveitam o momento para almoçar, pagar contas, ver os amigos, encontrar as esposas, filhos, pais, ou mesmo pra ficar de bobeira sentados num daqueles bancos do Calçadão.
Num dia destes, num destes bancos, estava uma mulher de cabelo chanel que olhava para o nada e para o tudo ao mesmo tempo, em uma expressão catatônica. E a seu lado, uma sacola da Riachuelo.
Ela estava a pensar no tédio que era o seu emprego. Sempre quisera ser psicóloga e, agora estava profundamente entediada com o que sempre quis ser tão convictamente. Gostava de ajudar as pessoas com seus conselhos pagos; porém, as vezes sentia-se como uma 'mercenária psicológica', pelo fato de que depois que seus pacientes se curavam, eles iam embora - e ela achava bom - e nunca mais voltavam. A sua sensação era de uma amizade que durava até onde o dinheiro ia. E naquele banco onde estava, sua mente estava às voltas consigo mesma a se perguntar se poderia existir uma força maior que a pusesse a retornar ao consultório.
Não muito depois, seu celular tocou a mesma música de alarme de sempre, pra avisar que faltavam dez minutos para voltar ao consultório; então, logo ao lado notou a força maior que buscava para retornar ao serviço: viu as sacolas de roupas da Riachuelo que tinha acabado de comprar, lembrou que esqueceu de pagar a conta da tv a cabo que acabara de instalar em sua casa e, pra finalizar, o dia de pagar o parcelamento do carro estava vindo a passos largos.
Pegou as sacolas, levantou-se e então misturou-se a aquelas milhares de pessoas hipnotizadas do centro normal e apressado de Londrina, que nada viam ou falavam. Foi assim que seus olhos voltaram ao normal.
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